Os materiais utilizados no fabrico de um veículo, bem como os respectivos métodos de concepção e de montagem, influenciam a forma como decorrerá o seu tratamento quando este se converte num Veículo em Fim de Vida (VFV). Por esse motivo, logo nas fases de concepção e produção dos novos veículos, os Fabricantes:
• Evitam a utilização de substâncias perigosas (p.e. já não se utilizam
metais pesados como o chumbo, o cádmio, o mercúrio e o crómio
hexavalente, salvo em reduzidas aplicações para as quais ainda não
existem substitutos);
• Tomam em consideração a necessidade de desmantelamento, reutilização e reciclagem dos VFV e dos seus componentes
e materiais (p.e. produzindo peças facilmente desmontáveis, evitando a proliferação de materiais diferentes na mesma peça,
utilizando materiais recicláveis);
• Utilizam as “normas ISO de codificação” para rotular alguns componentes e materiais, a fim de que estes possam ser facilmente
identificados e separados no desmantelamento (p.e. os plásticos e os elastómeros);
• Integram, progressivamente, uma quantidade crescente de materiais reciclados, com vista ao desenvolvimento deste mercado
(p.e. actualmente, cerca de 15% dos componentes plásticos utilizados nos novos veículos são provenientes da reciclagem,
percentagem essa que deverá aumentar com a evolução das condições do mercado e da viabilidade técnica).
Por outro lado, no âmbito do sistema europeu de homologação é já avaliado o potencial de reutilização/reciclagem/valorização dos novos veículos ligeiros. Assim, quando solicita a homologação de um novo veículo, o Fabricante tem que fornecer informações técnicas detalhadas sobre os componentes/materiais utilizados e recomendar uma estratégia para garantir a desmontagem e a reutilização dos componentes, bem como a reciclagem e a valorização dos materiais.
As autoridades competentes só atribuem a homologação após terem comprovado que o veículo é reciclável a um nível mínimo de 85%, em peso, e valorizável a um nível mínimo de 95%, em peso. Estes dados passam a constar do modelo de “certificado de homologação CE”.
No entanto, é necessário não esquecer que a segurança rodoviária e a protecção do ambiente não poderão ser prejudicadas pela reutilização de alguns componentes. Por exemplo:
• Não existe a garantia que determinados componentes retirados dos VFV, como os catalisadores ou os silenciadores de escape,
ofereçam o nível de protecção do ambiente exigido;
• Alguns dos componentes retirados de veículos envolvidos em acidentes podem ter sofrido danos que põem em causa a sua
reutilização em segurança;
• A utilização intensiva de alguns componentes durante o período de vida útil do veículo poderá inviabilizar a sua reutilização em
segurança.